quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Desenhando...
Para quem ta acompanhando a WEB, história aí..Essa é a Emma.Se tiver feio é porque a CAROL estava me apressando para postar hoje : )
Historia parte 18
O ônibus não demorou muito para passar, o que mais demorou
foi a viagem. Chegando à cidade, fiquei até com dúvidas, o que seria da minha
vida agora.
Chegando à minha casa, que ainda estava fechada pela policia.
Arranquei as faixas amarelas que a vedavam. Abri a porta, fui até a cozinha e
peguei todo o material de limpeza possível.
Comecei pela sala, arrumei toda a bagunça e a policia que se dane.
Tenho uma vida para tocar, e se eles não perceberam sou só uma adolescente, e
não meus pais mais... E ainda querem ocupar minha casa. Eles que pensem.
Arrumei a casa toda, e fui para meu quarto, já era de manha
quando terminei me joguei na cama e finalmente pude dormir. De noite, mais ou
menos quando acordei, decidi que tocaria minha vida em frente, que não ia continuar
dormindo como sempre fazia. Jantei e me preparei.
No outro dia retomei minha vida, exatamente como era ante de
eu fazer dezesseis anos. Decidi voltar no tempo e apagar tudo de ruim que aconteceu.
Por isso voltaria para minha antiga escola.
Na entrada da escola, pude ver que todos me encaravam, mas eu
não estava nem aí. E também sentia que se alguém me chamasse de Valentina de
novo, eu poderia acabar pulando no pescoço da pessoa.
Fui para meu antigo armário, havia coisas de outra pessoa lá dentro.
Mas eu não estava a fim de ter que disputar espaço, então aproveitei que todos
já me odiavam mesmo, e joguei as coisas que estava lá todas no chão, para quem quisesse
ver.
No recreio já estava cansada de todos me olharem. Fui direto
para meu armário, não sei se conseguia agüentar aquele clima pesado por muito tempo.
Vi Adam no corredor, ele ficou surpreso, uma sensação de ódio me comprometeu,
saí do corredor e mudei meu caminho, mas ele veio atrás de mim.
-Emma – ele corria n ao disse nada, só continuei andando.
Mas ele segurou meu braço, ele era muito forte para que eu
competisse.
-Me solta – disse tentando me livrar
de sua mão.
-Não. Não solto! – ele me empurrou, e
me prendeu contra o armário, eu não poderia escapar. Ele me olhava com seus
olhos verdes, eram tão bonitos e... Mas sempre me lembrava da Jane ao me lembrar
de Adam, o que me deixava totalmente vulnerável.
-Emma – odiava quando ele falava meu
nome daquele jeito. Seu cabelo castanho estava caindo sobre os olhos, ele não
parecia cansado mesmo depois de ter corrido.
-O que quer?Não pode me deixar em paz, só quero esquecer tudo.
Reconstruir minha vida – comecei a chorar, porque eu sempre tinha que
chorar?Droga.
-Quero que fique bem – sua voz era doce e suave, assim como
seus olhos – Porque disse aquilo?Porque disse que eu era mais que seu amigo?
Não conseguia responde-lo, apenas continuei chorando, tentei
mais uma vez me livrar de sua mão, mas era inútil.
-Porque Emma? – ele gritou.
-Porque você é – falei – Sempre foi – minha voz estava
tremula, e meus olhos molhados.
Ele me abraçou, me senti uma idiota por sempre me render a
ele.Mas eu precisava disso.
-Porque sempre faz isso comigo, Emma? – ele sussurrou no meu
ouvido.
-Porque estou apaixonada por você – falei me livrando das lagrimas.
Ainda estávamos abraçados.
-Emma.... – Adam sussurrou tão baixinho que mal pude ouvir – Me
promete uma coisa?
-Sim – sussurrei de volta.
-Nunca mais me procure de novo, está bem? – ele me soltou, e
foi se afastando.
Eu entrei em choque, o que eles quis dizer com aquilo?
-Adam! – porque ele estava fazendo isso? – Está cometendo um
erro – gritei.
-Você que cometeu um erro Emma. Não devia ter se apaixonado
por mim – ele continuou andando.
Não podia acreditar em suas palavras, nunca ia acreditar. Saí
da escola apressada, mas no caminho percebi que tinha alguém atrás de mim, me
virei, era Priscila, eu fui na direção dela e a segurei.
-Me deixe em paz!Não termina de estragar meu dia – soltei o
braço dela. Mas ela insistiu.
-Acredito em você! – ela disse enquanto continuava a me
seguir.
-O que? – perguntei.
-Não foi você que matou Roy, eu acredito em você.
-Agora? – continuei andando, estávamos perto da minha casa. Entrei
e bati a porta, mas ela continuou na entrada.
-Acredito em você Emma. Sei o que esta acontecendo, eu te entendo.
Posso explicar porque tudo isso aconteceu com você, posso te ajudar – ela fez
uma pausa, não podia entender como ela sabia as respostas para as minhas
perguntas – Eu quero te ajudar.
Abria porta, me fazer de forte dispensando Pri agora só seria
burrice. Precisava de respostas, toda ajuda era bem vinda, mesmo que partisse
de Priscila.
-Por quê? – perguntei abrindo a porta - Porque, está
acontecendo tudo isso?
Ela se sentou no sofá, eu peguei um copo de água para mim. Estava
tremendo. Então ela começou a falar.
-Nunca se perguntou por que se sente vazia?Porque se sente
melhor sozinha, prefere dormir a estar com as pessoas...
-Sou solitária – respondi, não era um mistério.
-Não Emma. Você é diferente, não é como um humano.
-O que? – engoli a água toda de uma vez – Sou uma alienígena agora?
-Não é isso Emma. Quero dizer... Tem o sangue manchado.
-Mais uma vez essa historia. O que isso quer dizer? – eu já
estava por aqui com essa historia de sangue manchado.
-Quer dizer que você tem um leve distúrbio sentimental, que
te leva a matar pessoas. Se alimenta dos momentos bons delas, porque não se
sente feliz com nada na sua vida.
-Não sou louca, não tenho vontade de matar pessoas. Nunca
tive.
-Agora eu sei – falou ela, bem baixinho.
-O que quer dizer com “agora eu sei”.Achou que eu matei Roy
para me alimentar das alegrias dele? – me senti ofendida – Por isso me julgou, me
fez aquelas perguntas idiotas.
-Eu sei, eu errei. Mas entenda Emma, você era a única pessoa que
eu poderia culpar.
-Por quê?
-Sei o que é ser um sangue manchado Emma, porque eu também sou
uma. Entende agora, por isso sei como se sente quando mata alguém. Mas quando
descobri que seus pais morreram, sabia que não era você. Matar um estranho é uma
coisa, nossa família é outra. Nenhuma sensação no mundo vale esse preço.
-Quer dizer que já matou alguém?
-Um deslize. Mas me arrependo amargamente, na hora é o melhor
sentimento do mundo, mas depois é uma praga, algo horrível que te consome.
-Achou que eu tivesse matado Roy, sem querer do mesmo jeito que
você – ela não estava mentindo, podia ver nos olhos dela. Ela fez que sim com a
cabeça.
Ficamos em silencio por um minuto.
-Meu pai me levou a muitos médicos.Na espoca, fiquei
internada por um tempo, mas não foi constatado nenhum problema de
cabeça.Porque...não é um problema de cabeça e sim do coração, é sentimental.Não
tem “cura”, apenas uma escolha.Matar ou não matar.
-O que você escolheu.
-Não matar, não queria matar ninguém. Nunca valeu a pena. O
vazio agente controla, esquece. É difícil, é tentador, mas não é impossível.
-Também escolho não matar – falei, mesmo que essa idéia nunca
tivesse passado pela minha cabeça – pensei um pouco – Se podemos escolher,
porque a mortes?
-Porque para uns, matar é bem melhor que agüentar o vazio. Alguns
dizem que depois de muitos anos ele te consome, vai ficando mais difícil, mais doloroso,
e talvez você não sinta mais nada...
-Até que não seria tão ruim, não sentir – suspirei, depois de
tudo que me avia acontecido.
-E também... Pelo conselho.
-O que eles são? – finalmente o que eu sempre quis saber.
-Eles nos matam Emma. Todas as pessoas que são como nós, ou
como eles chamam sangues manchados. Eles não diferenciam os bons dos maus, os
que escolhem matar ou os que escolhem viver com o vazio. Somos todos iguais
para eles.
-Eles estão atrás de você? – perguntei angustiada, podia ver
o quanto Pri sofria com isso.
-Já estiveram, mas faz muito tempo, não sou mais o alvo
deles, Emma.
-Sou eu – falei baixinho, não queria acreditar nisso.
-Eles são preferência, aos mais perigosos. E uma menina que
já matou três, acho que tem preferência.
-Mas eu não matei – me defendi.
-Eu sei, mas são as pessoas que estão a sua volta.
Normalmente as vítimas de pessoas como nós.
-Nunca machucaria ninguém. Acredita em mim?
-Sim. Por isso quero te ajudar.
-Como posso fugir deles?
-Não tem como fugir, Emma.
-Como assim? – ela quer mesmo me ajudar?Então porque me disse
isso?
-Estão te vigiando Emma, a muito tempo.Eles te vigiam até
aprender tudo sobre você, até entrarem na sua vida.E um dia tudo acaba.Sabem
tudo sobre você, onde vai com quem anda, o que te atinge.
-Por isso mataram meus pais?
-Não foram eles, Emma.
-Como não.
-É contra a regra deles fazer isso.Eles só matam pessoas como
nós.
-Então quem foi.
-Alguém como eu, como você. Que sabe tudo sobre você, eu quis
matar e jogar a culpa em você. Alguém que você confia.
-Não sei quem pode ter sido – eu estava mesmo preocupada.
-Eles jogaram com você para te testar. Agora vão agir Emma.
Então a morte dos meus pais não tinha a ver com o jogo, foi
apenas coincidência. Eu estava cercada de pessoas que queriam me matar, o que
ia fazer.
-O que vou fazer?
-Se preparar.
-Me preparar?
-Para enfrentar o conselho Emma. E se tiver sorte, vão
descobrir que é inocente antes de te casarem.
Pela noite foi uma tormenta, não consegui dormi. Não pelos
sentimentos ruins que sempre me rondaram, e que agora tinha explicação, mas sim
pelo que Pri tinha dito. Me cassarem?Era isso mesmo.
Estava com uma sensação muito ruim pela noite, decidi ir a
casa de Priscila.Sabia que ela não negaria que eu ficasse lá.
-Emma? Não devia andar aí de noite – ela me colocou para dentro.
Eu estava de roupão, mas não me importei.
-Não consegui dormi.
-Não esperava que conseguisse.
-Priscila que está aí? – perguntou o pai dela descendo a escada.
Ele parou ao nos ver conversando.
-Pai, ela é a Emma. Ela é como eu – isso pareceu como um
cartão de visita, pois o pai da Pri foi correndo para cozinha preparar algo
para agente comer. E fez questão de me dar uma cama confortável.
Talvez tenha sido ser bem recebida, ou não estar sozinha. Eu
não sei ao certo, mas eu consegui dormir, mas amanha seria um dia muito difícil.
Disso eu poderia ter certeza.
História parte 17
-O que aconteceu? – perguntei para os polícias que vedavam a
casa, e afastavam a multidão.
-Não podemos falar nada, agora se afastem! – os policiais
faziam a maior força para manter tanta gente para trás da casa.
-Recebemos uma carta mandando vir a este local, uma ameaça.
Ela está envolvida no caso – Adam era firme, mesmo desafiando a lei – É mais do
que o suficiente para entrarmos aí!
O policial liberou nossa passagem, nem acreditei quando ele
permitiu que passássemos. Corri até a entrada da casa, estava abandonada, o
detetive que cuidava do meu caso estava lá, e nos interceptou na porta.
-Porque toda vez que acontece alguma
coisa nessa cidade, vocês estão metidos? – ele colocou a mão na testa como se
não acreditasse.
-Eu também queria saber! – impliquei.
-O que ta rolando? – perguntou Adam,
pulando as apresentações.
-Assassinato – ele passou a mão na
testa para se livrar do suor, lá realmente estava quente -E o que você tem a
ver com isso?
Meu coração quase parou
assassinato?Sério?
-Quem morreu? – Adam perguntou, ele
sabia que eu não estava mais em condições de falar nada.
-Um casal, ainda não identificamos.
Por quê?
Quando ele disse um casal, tive a reação mais idiota da minha
vida, procurar os corpos.
Andei pelo primeiro andar todo, o
detetive corria atrás de mim, e logo vinha Adam.Mas eu estava rápida, assim
como meu desespero.Subia a escada, tão rápido que quase cai no segundo andar,
me arrependi seriamente de ter tido esse reação idiota.
-Não! – gritei caindo no chão.
Adam veio até mim, mas ele não estava
aterrorizado como eu, o odiei por ser tão frio.Eu estava no chão e
chorando.Logo na minha frente os corpos dos meus pais, sem vida e cheios de
sangue.
-Conhece? – o detetive perguntou.
Me levantei exaltada, como ele me
fazia uma pergunta dessas!
-Claro que conheço!É claro! – gritei-
São meus pais!
Saí correndo da casa, nem me lembro
ao certo como driblei tantas pessoas e policiais na entrada. Eu não tinha para
onde ir, não tinha casa, não tinha família, não tinha ninguém.
-E o Bem? – perguntei finalmente me
tocando.
-Ele não estava lá – falou Adam, se
sentando do meu lado na areia da praia – O detetive está investigando,
entreguei a carta pra ele.
-Como soube que era um jogo, Adam?Como
soube que eu não podia desobedecer às cartas?
-Eu chutei – ele olhou para o mar, de
algum modo ele sabia.
-Preciso achar meu irmão... –
cochichei.
-A melhor coisa que você tem a fazer
é voltar para o hotel, descansar. Sua amiga pode estar preocupada com você.
-Acha mesmo que é com isso estou me
importando?Não quero dormir, não quero voltar para o hotel. Eu quero meu
quarto, minha casa, meus pais, meu irmão! – choraminguei, sabia que Adam não me
entenderia, o emocional dele era igual a de uma porta.
-Emma, precisa descansar...
-Não! – gritei – Não me importo
comigo, só quero minha vida de volta!
-Mas eu me importo, não quero te ver
machucada, ou morta – ele falou.
-É o único que se importa! – disse o abraçando.
-Sabe que é mentira não sabe?Todos se
importam com você.
-Todos quem?Não tem mais ninguém,
todos se foram – comecei a chorar.
Pode me chamar de manteiga derretida
e o que mais quiser, mas eu não estava sendo uma boba sentimental. Eu não tinha
mais ninguém, meus pais se foram, Lucy não queria mais saber da minha existência,
Roy se foi, e meu irmão... Onde ele estava?
Fui para o hotel, mas com isso tudo
só cheguei lá pela manha. Jane me abordou no quarto, e me fez um milhão de
perguntas, eu não disse a ela sobre os meus pais ou qualquer coisa do tipo, não
queria lembrar da cena.Meus pais caídos no chão, cheios de sangue.Tudo que eu
queria fazer era esquecer.Infelizmente eu não conseguia.
De noite estávamos jantando, nem mesmo aquele banquete me fez
ter apetite, tomei apenas um copo de água e mesmo assim me senti enjoada, tudo
me lembrava sangue, morte, dor.
-Valentina? – perguntou Jane – Esta tudo bem?
-Está, porque não estaria – dei os ombros.
-Está seria, e um pouco pra baixo.
-Sempre estou assim.
-Não, não é – ela tornou a comer.
Na saída do jantar, ficamos na área da piscina estava tendo
musica ao vivo, estava um clima bem gostoso, para quem não tinha achado os pais
assinados a menos de um dia.
-Val.A festa que eu lhe falei, lembra?
-Diga – disse um pouco enjoada.
-Vai ser na segunda.
-Achei que fosse daqui a uma semana e não quatro dias.
-Eu sei que lhe falei que era daqui a uma semana, mas o meu
aluno mudou a data.Mas gostaria que você fosse mesmo assim.
-Qual é o idiota que dá uma festa na segunda? – resmunguei.
-É feriado, Val, não conta – ela riu.
-Tudo bem – me rendi – Eu prometi, não foi?
-Sério?
-Claro.
Me levantei e fui para o quarto, Jane ficou assistindo aos músicos.Me
joguei na cama, e mesmo com tudo aquilo acontecendo, dormi como uma pedra.
Capitulo dezoito
-Qual você prefere? O roxo ou o vermelho – Jane rodopiou com
o vestido vermelho de grossas alças pelo quarto.
-O roxo.O vermelho é muito...
-Sei o que quer dizer – ela foi até a mala dela e retirou vários
pares de sapato.
-Quantos...
-Sei, mas não vivo sem eles. Alias qual sapato devo ir, é
ainda mais difícil que o vestido – ela estava mesmo empolgada com essa tal festa
- E você o que vai usar?
-Sei lá, talvez o vestido que o Jake me deu.
-De novo? – resmungou Jane.
-É por quê?
-Nem pensar menina, você não vai usar roupa repetida, anda
abre aquela mala ali minha, deve ter algo que caiba em você.
Na verdade não tinha nada que eu gostasse, imaginava todas
aquelas roupas bonitas na Jane, mas não em mim.Mega decotes e babados
infinitos, não que fosse do meu estilo.
-Que tal esse branco? – perguntou Jane.
-Não vou me casar! – era um lindo vestido branco, mas ia até
o pé, não era rodado nem nada, mas era de camadas, perfeito para uma noiva e
não uma festinha da faculdade.
-Podemos cortar – disse Jane pegando uma tesoura e uma
maquina de costura de mão.
-Sempre anda com isso? – brinquei.
-Sempre preciso – ela riu.
Coloquei o vestido, ele já era grande na Jane, em mim ficou enorme.
Cortamos bastante ele, até ele ficar na altura do joelho, ficou bem justinho,
depois de umas horas em pé com aquela maquininha me furando. Apesar de tudo
valeu a pena, o vestido ficou lindo. Mas se estivesse na Jane, ficaria muito
melhor.
Jane e eu fomos de carro, até o fim da rua. Para não machucar
os nossos pés devido ao salto. A casa era normal, mas estava cheia. Pude ouvir
o barulho e a musica do começo da rua, ainda mais quando não se tem nada em
volta para abafar o som.
Entramos, tinha muita gente mesmo. Fiquei pensando, se Jane
não fosse tão bonita não teria sido convidada, era uma típica festa de
faculdade, e professores não são convidados, ainda mais quando têm bebidas alcoólicas,
drogas e outras coisas mais...
-Val! – gritou Jane, vou procurar meu namorado, ele mandou
uma mensagem acabou de chegar. Fica na varanda, já vou pra lá. Tudo bem? – eu não
queria andar naquele lugar sozinha, mas não tive escolha.
-Ta – fui para a varanda. Acho que era o único lugar vazio da
festa, a descoberta me animou. Tinha um pequeno píer saindo da varanda, era lindo.
Fiquei o admirando.
Ouviu um barulho, certamente era Jane, pude ouvir a voz dela.
Me virei, estava ela com seu namorado, mas eu já o conhecia.
-Val eu quero te apresentar meu namorado...
-Adam – falei com a voz esganiçada.
-Emma, não é o que pensa – como não era o que eu pensava,
claro que era!Queria pular no pescoço de Adam naquela hora.
-Já se conhecem? – Jane perguntou docemente.
-Sim, Emma é...
-Espera aí... – disse Jane, pude ver sua expressão mudar – Ela
é a tal Emma, a sua amiginha por qual você faz tudo? – ela estava mesmo brava.
-Jane... não é bem assim – disse Adam.
-Achei que se chamasse Valentina? – insinuou Jane bem raivosa
– Mentiu para mim.
-Não menti – me defendi – Me chamo Valentina.Emma Valentina
Fox.
-Mesmo assim mentiu.Sabia que eu estava com problemas no
relacionamento e mesmo assim não disse nada.
-Eu não sabia.... – me exaltei – Não sabia que o Adam era seu
namorado.
-Emma... – disse Adam.
-Cala a boca.Mentiu pra mim.
-Não menti.Nunca disse que não tinha namorada – me senti
humilhada quando Adam disse isso.
-Por quê? – gritou Jane – O que te interessa ele ter ou não
namorada?São só amigos não são? – Jane estava exaltada, todos nós na verdade.
-Não – falei.
-Não? – gritou Jane furiosa.
-Nunca fomos – falei olhando para Adam, ele continuava ali
parado, sem expressar emoção alguma, como sempre.
-Adam - disse Jane,
esperando que ele dissesse alguma coisa, mas ele não disse nada.
-Pelo menos pra mim – falei, quebrando o silencio – Nunca foi.
Queria muito sair dali, pensei em pular pelo pear e me deixar
afundar, mas sabia que aquilo acabaria em morte, afinal tenho pânico de água.
Sai da festa correndo, voltei para o hotel ele não era longe.Entrei
no quarto e arrumei minhas coisas, sabia que não teria a carona e muito menos a
cara de pau de olhar para Jane outra vez.
Na saída do quarto dei de cara com Jake.
-Val?A onde vai?– ele havia visto minhas malas.
-Embora – respirei fundo –Preciso ir.
-Por quê? -perguntou
Jake.
-Porque sim – disse tomando a frente, o que ele tinha na
cabeça?
-Não pode ir – Jake havia mudado totalmente de personalidade,
ele estava sério e amedrontador.
-Porque não – cheguei a rir.
-Não pode! – ele gritou e esmurrou a parede, gritei.
-O que quer?Está louco – corri para o outro lado do corredor,
nem me preocupei com a mala. Meus documentos estavam na minha mochila de costas
mesmo, eu ficaria bem sem todo aquele peso.
-Não pode ir! – ele gritou mais uma vez – São as regras do
jogo.
Aquelas palavras me congelaram, regras do jogo, ele estava envolvido.
Então quem mais?Quem mais estava contra mim, corri o mais rápido que pude. Não
me interessava o “jogo” ou o conselho ou essa brincadeira idiota de sangue
manchado, só queria ir para casa.
História parte 16
-Não – me sentei na cama, eu já estava desesperada. Então pensei
em ligar para o Adam. Sei que era abusar pedir para ele vir aqui, mas eu estava
nervosa de mais. Disquei o numero dele.
-Atende,atende,atende! – implorei.
-Alo?
-Adam – falei, estava aliviada em ouvir a voz dele.
-Emma?
-Preciso de um favor.
-O que eu falei sobre os favores Emma – ele falou com um tom
irônico.
-É serio Adam.
-O que foi? – ele estava sério, deve ter percebido o tom de
desespero na minha voz.
-Aconteceu alguma coisa com a minha família, eles me ligaram.
-O que aconteceu?
-Eu não sei. Preciso que me leve até eles, por favor – eu
estava andando de um lado para o outro.
-Onde você esta? – ele parecia agitado.
-Na viagem da escola, o hotel que a Sam escolheu ...
-Chego em uma hora... –ele desligou.
Não sei como Adam ia fazer para chegar em uma hora, tínhamos
demorado três para vir, mas eu não questionei.Apenas troquei de roupa e desci
para a entrada do hotel,Sam cuidaria da minha bagagem, eu estava nervosa de
mais para pensar em roupas.
Fiquei andando de um lado para o outro, atravessei a rua umas
quinhentas vezes, tentei me comunicar com minha família de novo, mas nada. Eu
estava ficando cada vez mais preocupada.
Uma luz se aproximou, estava escuro de mais, mais percebi que
não era um carro.Era uma moto.
Adam tirou o capacete.
-Sobe – disse me entregando um capacete.
Subi, apesar de ter pavor de moto, mas estava tão nervosa com
as circunstâncias, e sei que estando com Adam nada de mal me aconteceria.
A estrada estava calma, a velocidade da moto era imensa, o
vento estava cortante e estava muito frio. Pude reconhecer minha rua quando
paramos, saltei da moto na mesma hora que parou, Adam fez o mesmo. Corremos
para a entrada da minha casa, toquei a campinha.
Ninguém atendeu, bati na porta e gritei por eles, mas ninguém
respondia.
-Não está dando certo – disse Adam.
-Pai!Mãe!Bem – continuei gritando.
-Emma! – gritou Adam – Não está funcionando!
Ele me afastou da porta, saiu correndo Oe a chutou. A porta
estremeceu, ele fez o mesmo, de novo e mais uma vez. A porta se abriu, e bateu
com força contra a parede. Entrei correndo, a casa estava uma bagunça, coisas
espalhadas pelo chão, o jarro de plantas quebrado, e na parede uma mensagem.
-Olho por olho, dente por dente.
-Priscila – disse com voz de choro.
-O que? – perguntou Adam.
-Ela me disse isso – me senti no chão, já estava chorando.
-Ela não faria isso Emma, é só uma adolescente idiota, não te
faria mal – ele estava seguro. Adam se sentou no chão de frente para mim.
-Onde está minha família Adam? –perguntei desesperada – Onde
estão?O que ouve com eles, eu preciso saber! – gritei, eu estava chorando.
Corri para o meu quarto, estava todo revirado.Me joguei na
cama e comecei a chorar, não podia
suportar e muito menos entender o que estava acontecendo.Meu rosto estava todo
molhado, e em poucos minutos meu travesseiro também.
-Emma... – disse Adam ao entrar no meu quarto, ele ditou na
minha cama de frente para mim, mas não queria que ele me visse assim – Vai
ficar tudo bem – ele estava calmo, e sua voz era irrelevante. O odiei por se
manter calmo em uma situação como esta.
-Porque esta acontecendo isso comigo?O que eu fiz de errado?
– chorei.
-Eu não sei Emma – ele passou a mão no meu rosto, secando
minhas lagrimas. Sua mão era macia e delicada ao mesmo tempo – Não tem nada de
errado com você. Você é perfeita.
Ele me abraçou. Juro que não entendia Adam, ele era tão complexo.
Horas me tratava como um amigo qualquer e às vezes... Como se eu fosse a pessoa
mais importante do mundo. Mas não conseguia para de pensar onde estava minha
família.
Ficamos ali deitados por muito tempo. Não sei o tempo ao
certo, logo dormi.
Capitulo dezessete.
Acordei por
volta das nove, Adam não estava mais na cama. Fui para o banheiro, meu rosto já
não estava mais inchado, agradeci por isso. Coloquei um short e um blusão, não
estava no clima para me arrumar. Passei pelo corredor, deixei escapar uma
lagrima ao olhar para o quarto de Bem.
Desci até a
sala, que estava arrumada. Adam estava limpando a frase da parede, ele estava
com um pano e um balde de água. A frase já não era mais legível, só restava uma
enorme mancha de sangue.
-Bom dia – disse ele ao me ver.
-Não precisa limpar nada – disse me jogando no sofá.
-Não queria deixar isso aqui, se ficar muito tempo vai ser
mais difícil de sair – pude ver a enorme força que Adam fazia para tirar aquilo
da parede, sei que se fosse eu, do contrario dele não conseguiria.
-O que vamos fazer? – perguntei.
-Chamar a policia.
-Para me acusarem de novo? – me afundei no sofá – Primeiro
mato o Roy, agora do sumiço na minha família, e por diversão resolvo mudar o
papel de parede da sala – ironizei.
-É a coisa certa a fazer, mocinha.
-Odeio envolver a policia, eles sempre tiram as conclusões
erradas. Odeio que todo mundo me olhe quando eu vou à rua, odeio ter a cidade
me chamando de assassina! – desabafei.
-Não vai acontecer isso Emma – ele terminou a parede, jogou o
pano no balde, fazendo a água vermelha respingar no chão.
-Já aconteceu uma vez, quem me garante que não vai acontecer
de novo?
-Eu garanto – ele sentou no sofá.
-Posso acreditar em você? – perguntei um pouco abalada.
Ele fez que sim com a cabeça, se aproximou e beijou a minha
testa. Odiava quando Adam me tratava como um bebe. Me levantei, peguei o
celular e liguei para a policia.Eles chegaram e mais uma vez reviraram minha
vida de cabeça para baixo.
Dessa vez foi mais fácil ouvir eles me chamarem de Valentina,
nas circunstâncias, isso já não tinha importância. E com essa história toda,
até percebi que esse nome não era tão feio quanto eu pensava.
O policial desconfiou, e aposto que anotaram algo sobre Adam.
Afinal no ultimo caso, ele também estava envolvido, ele devia ter ido embora
antes da policia. Os policiais não gostaram nada da prova ter sido apagada da
parede, mas Adam mostrou uma foto a eles com o que estava escrito, o que amenizou a expressão desconfiada dos
policiais.
Eles demoraram muito, e pediram que eu fosse para algum
lugar, não queriam que eu estragasse a cena do crime mais uma vez. Eu iria para
a casa de Adam, mas o pai dele estava lá. Não queria ter que ficar quieta,
seguindo mil e uma regras de etiqueta, Adam me deixou no hotel de novo. O que
não me deixou nada feliz, eu estava impaciente, precisava de noticias, não
podia continuar sem saber nada.
Jane ficou muito feliz ao me ver, ela ficou querendo saber
tudo o que tinha acontecido, mas eu a poupei dos detalhes e apenas disse que
foi uma emergência familiar.
-Porque não entra? – perguntou Jane entrando de cabeça na
piscina.
-Não to no clima – falei um pouco emburrada.
-Mas a noite o ônibus da sua escola vai levar todo mundo
embora, devia aproveitar.
-Vou ficar mais um tempo. Talvez uma semana, ou mais um pouco
– disse.
-Sério? – ela perguntou toda empolgada, fiz que sim com a
cabeça - Então vou ficar com você. Vai ser maravilhoso.
-É – disse um pouco seca.
-E semana que vem, vai ter uma festa aqui perto. De um aluno
meu da faculdade e você vai comigo.
-Não sou muito de ir a festas.
-Por favor, meu namorado vai comigo. Queria tanto que você o
conhecesse.
-Jane eu...
-Por favor – implorou ela.
-Tudo bem, desabafei.
Meu telefone
tocou, olhei na tela, era Adam. Atendi correndo, ele podia ter noticia dos meus
pais.
-Descobriram alguma coisa? –
perguntei assim que atendi.
-Não. Mas chegou uma coisa para
você, eu não abri, mas é uma carta.
-Uma carta? – lembrei da carta me
ameaçado que recebi uma vez.
-Ta escrito o seu nome nela, eu
peguei na caixa de correio logo cedo. Os policiais nem se lembraram de olha lá
– ele riu.
-A policia ainda está na minha casa?
– precisava saber.
-Sim, por toda parte.Estão
analisando umas coisas.
-Tem que ir no meu quarto, no meu guarda-roupa
dentro de uma caixa de madeira, tem uma carta lá.Tem que ver se a letra é igual
a essa.Consegue fazer isso?
-É claro que sim.Entro pela sua
varanda.
-Ok.Me liga quando souber a
resposta.Se a carta for igual, pode ser alguma coisa sobre os meus pais – falei
um pouco aliviada.
-Até mais – ele desligou.
Estava muito ansiosa, outra carta. Mas algo me deixou
aliviada, se eles haviam mandado a carta para minha casa, é porque não sabiam
que eu estava aqui.
-Val? – perguntou alguém tocando meu ombro, enquanto eu
passava pelo corredor do hotel.
-Oi – disse um pouco assustada, era Jake.
-Estou te gritando não ouviu?
-Desculpa, acho que não.
Na verdade, talvez eu tenha ouvido. O fato de eu estar sendo
chamada de Val por todo mundo, devido meu segundo nome não é nada mal. Mas
quando fico muito tempo com o Adam, que é totalmente contra a parar de me
chamar de Emma, eu esqueço que agora alem de Emma, também sou Val.
-Achei que tinha ido embora, vi o ônibus sair agora pouco.
-Não, vou ficar mais um tempo.
-Vai? – ele não ficou nada animado, vi pelo seu rosto, uma
atitude muito estranha para o Jake.
-Tudo bem, pra você? – perguntei, mesmo não precisando da
opinião dele nesse assunto.
-Claro, claro – ele disfarçou, sei que não se empolgou com a
idéia.
-Tem certeza?
-Claro que sim – ele riu – Porque não vamos a praia hoje,
vamos andar um pouco. E tem uma apresentação de dança lá, é muito legal.
-Apresentação de dança?
-Na verdade é só um ensaio, meu amigo comanda o grupo, eu
sempre assisto eles, são muito bons. Vai gostar.
-Tudo bem – eu tinha que me distrair um pouco.
*
Eram sete da tarde quando Jake bateu no meu quarto para irmos
a praia, Jane também foi. E eles falaram uma meia hora sobre dança de rua e outras
coisas mais, eu não prestei muita atenção, só conseguia pensar em uma coisa,
meus pais.
Adam não ligou mais, o que me deixou mais nervosa ainda.A
apresentação de dança até que foi bem legal, mas eu realmente prefiro não falar
sobre ela agora.
O telefone tocou, entrei em desespero e quase deixei ele cair
na areia.
-Fala – disse ao atender.
-A carda diz pra não sair de casa Emma.
-Como assim? – perguntei indignada.
-Precisa voltar Emma – ele gritou.
-Porque, se eles me querem em casa, só é para me fazer mal.
-Não entende Emma. É um jogo, eles mandam e você obedece se
desobedecer eles aprontam.
-Como assim “aprontam”? – a esse ponto eu estava muito
preocupada mesmo. Me afastei do pessoal, não podia deixar ninguém perceber meu
desespero.
-Emma não importa -
ele estava nervoso, então tive medo, Adam nunca perdia o controle, nunca se
exaltava – Não arrisque.Não sabe o que eles podem fazer, tem que voltar agora!
-Eu vou – disse muito nervosa –Eu vou!
Terminado a apresentação, insisti que voltássemos para o quarto.Jake não gostou muito, mas a essa
altura, não me importo mais com nada que pensem.
-Jane? – perguntei enquanto chegávamos no quarto.
-Sim..
-Pode me levar até a cidade?
-Por quê? – perguntou um pouco espantada.
-Sabe, estou com problemas familiares, preciso ir para casa,
mas volto – claro que voltaria, ate porque não tinha onde ficar mesmo.
-Val, mas agora? – ela estava desanimada.
-Sim, por favor.
-Tudo bem – vou pegar as chaves, me encontra no
estacionamento.
Fui para o estacionamento, eu não sabia qual era o carro de
Jane ao certo, até porque o carro dela chegou no outro dia, já que ela veio de
ônibus com agente.Mas tive uma pista, era o único carro rosa da garagem.Corri
até ele,mas levei um susto ao ver uma papel colado no vidro do carro, nele
dizia : Fim de jogo.
Liguei para Adam na mesma hora, mas só dava caixa postal.Eu
precisava correr.Estava inquieta, me livrei do papel, Jane não poderia ver
aquilo.
-Onde quer ficar? – perguntou Jane quando chegávamos na
cidade?
-Uma rua depois da casa de Sam.
-Por quê? – ela virou o carro.
-Tenho parente ali – mentira.
Chegando, corri a ponto de Jane não ver em que casa eu tinha
entrado, na verdade eu virei a rua e esperei o carro sair.Fui para porta da
minha casa, estava vedada por faixas amarelas, tinha certeza que tinha sido os
policiais.
Passei por cima das faixas correndo, abri a porta, dei um
grito ao bater de frente com uma pessoa. Para minha sorte era Adam.
-Que susto, Adam – disse ofegante.
-Eu que o diga, não precisava entrar correndo – parei um
minuto para respirar.
-Eles sabem Adam.
-Sabem o que?
-Que eu sai de casa, que não estava aqui. Sabem que quebrei
as regras.
-Como sabem?
-Colocaram um bilhete no carro, Fim de jogo, Adam!
-Isso não é bom.
Alguém bateu na porta com muita força, dei um pulo para trás
de medo.Adam foi até a porta, e abriu.Pensei que seriamos atacados mas não
havia ninguém.Fui até o lado de fora, nem sinal de que esteve alguém ali, a não
ser por um papel colado na porta.
-O que é isso? – perguntei para Adam, ao ler o bilhete.Norte
43?
-É o endereço, rua norte numero 43.
-O que tem lá? – perguntei assustada.
-Não sei.
Corri para fora do quintal.
-Emma?Aonde vai.
-Rua norte 43.Onde mais? – Adam veio correndo atrás de mim,
ele tentou me convencer a não ir, mas aquele bilhete era para mim. Eu ignorei
os últimos, não iria ignorar este também.
A rua norte era longe, o que me cansou até a raiz do
cabelo.Chegando na rua havia carros de policia, e sirenes.Seja lá o que for, a
policia estava lá, e isso não era um bom sinal.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
História parte 15
Capitulo dezesseis.
Estávamos sentadas no quarto, enquanto Jane organizava um
desfile de pijamas pela manha. Estava muito divertido até porque, a maioria
usava pijamas de manga comprida com bichinhos, fiquei me perguntando onde ela
havia arranjado aquelas coisas.
-E então, já decidiram que roupas vocês vão a festa? –Jane
fez todas as meninas correrem para suas malas.
Elas reviram e roupas voaram pelo quarto, a festa era em
menos de duas horas.E a brincadeira tinha feito todas elas esquecerem
completamente, Jane ajudou todas elas a se vestirem, e cada minuto que passava
eu me apaixonava pela profissão dela.
-E aí Val.Com que roupa vai? – ela se sentou na minha cama ao
meu lado.
-Não trouxe roupa para esse tipo de coisa – na verdade, eu
não tinha roupa para esse tipo de coisa.
-A me lembrei de uma coisa – gritou Sam, do outro lado do
quarto – Chegou de manha, mas você tava dormindo. Foi mal amiga esqueci.
Era um embrulho bem grande. Tinha uma carta – abri e li. Agora
você tem uma roupa para essa ocasião. Sabia que era do Jake.
-Que fofo – deixei escapar.
-Parece que alguém tem um admirador secreto – disse Jane.
-Não é secreto brinquei, e nem admirador. Só um amigo – abri
o pacote.Era um lindo vestido longo.
-Nossa – disse Jane –Esse é caro.
-Isso não importa. Mas lindo é sim – disse colocando o
vestido na frente do corpo.
-Coloca! – disse Jane e Sam e coro.
-Eu não sei, não combina comigo.
-Claro que combina Val.Você é tão linda, tem um cabelo lindo,
olhos lindos, para de se sentir um patinho feio – ela me empurrou para a porta do banheiro – Você é linda, e tem que
se ver assim também.
As palavras de Jane me fizeram mito bem, se ela que era tão
linda e inteligente me achava bonita, eu não diria ao contrario.
Saí do banheiro. Acho que ficou legal porque todo mundo parou
para me olhar, não gostei daquela sensação.
Era um vestido prata brilhante, ele era tomara que caia, e
descia até o chão era lindo, tinha uma abertura na perna, mas era muito ousado
para mim.
-Já que estamos todas prontas porque não vamos logo? – disse
Jane abrindo a porta do quarto.
A festa era ao ar livre, na parte aberta do hotel, a banda
tocava suavemente, isso antes da metálica entrar e fazer todo mundo se abrigar
longe das caixas de som, mas todos os jovens pulavam e dançavam. Jane
comemorava mesmo com seu longo vestido preto, que passava de seus pés, um
enorme decote destaca seu corpo, eu nunca teria coragem de usar uma roupa
daquelas.
Me encostei na mureta, fiquei de costas para o mar,
assistindo a banda.
-Gostou do vestido?
-Ola Jake – disse – Gostei sim.
-Que bom.
-Sabe que não precisava não é? –
disse.
-Claro que precisava.
-Minha amiga disse que foi caro.
-Dinheiro não importa Val.
Eu queria
poder dizer isso. E mesmo que minha vida financeira tivesse melhorado mil por
cento esse ano, ainda era longe do estilo de vida do Jake.
-Quer alguma coisa? – perguntou ele me mostrando a garrafa de
vinho em sua mão.
-Não bebo.
-Melhor assim.
Ficamos em silencio assistindo a banda. Estava muito
engraçado ver todo mundo com roupas tão formais se apertando e pulando m frente
ao palco, pude ouvir uns saltos quebrarem.
-E então. O que vai fazer amanha?
-Provavelmente nada, como sempre. Sou uma pessoa muito chata
sabe? – brinquei.
-Sei – ele riu.
-E sua irmã. Eu queria vê-la. Já que temos o mesmo nome sabe.
-Minha irmã não mora aqui. Ela se mudou para a França tem
dois anos, mora com meu pai e meu irmão mais novo.
-E você ficou aqui com sua mãe.
-É.Não queria deixá-la sozinha, mas a vida dela é esse hotel.
-É uma bela vida, disse.
-É, é sim – ele riu.
-Conhece alguma coisa
para fazer neste local? – perguntei.
-Cinema e parque.
-Ao parque já fui então, cinema. Que horas?
-Tem seções todas as cinco e onze e meia.
-Sério?Que horário maluco.
-Cinco para crianças e onze e meia para adultos.
-Podemos ir à das cinco – disse, ele riu – Não quero chegar
de madrugada e acordar todas as colegas de quarto.
-Claro.
-Então até amanha – disse me afastando, meus pés doíam no
salto, reparei que Jane já não estava mais ali, possivelmente já tinha ido
dormir.
-Até amanha – disse ele.
Chegando no quarto, não fiz barulho, estava tudo apagado,
olhei nas camas mas não vi ninguém dormindo.Pude ouvir uma voz exaltada, era Jane,
ela estava na varanda falando ao celular.Eu nunca a havia visto daquele jeito.
-Como assim não vai poder vir, você prometeu... mais amor.Não
eu não te entendo, não importa o motivo que tenha – ela gritou, mas logo voltou
a falar em um tom baixo – Me diga a verdade.Tem outra pessoa?Esse é o motivo
para não vir, esta com uma qualquer aí e não pode largar ela?É isso, me diga!
Ela andava de um lado para o outro e ouvia antipaticamente a
outra pessoa do outro lado da linha.
-Escola, amigos, família!Você coloca tudo antes de mim, até
suas amiguinhas. Isso não está certo – ela parou para ouvir mais uma vez – Não
vou ficar calma, me deve explicações. Tínhamos um encontro e você sumiu... Não
interessa se estava ocupado, e no nosso ultimo encontro você só ficou olhando
no relógio, não queria estar comigo eu sei...
Ela ficou muda e desligou o telefone.
-Jane –disse baixinho –Está tudo bem.
-Desculpe por ter que ouvir isso – sabe nem tudo em um
relacionamento é perfeito.
-Não se preocupe, ele é um idiota.Não sabe te dar valor.
-Obrigada, mas não sou tão perfeita assim queridinha – ela se
sentou na beirada da minha cama.
-É sim, e ninguém vai dizer o contraio certo? – ela riu e foi
para a cama dela.
-Val... – disse ela após um tempo – Obrigada.
-De nada.
*
Pela tarde não estava com vontade de ir a piscina, na verdade
só tinha algo em que eu conseguia pensar, no meu encontro com Jake.O almoço do
hotel foi delicioso, muito espaguete e molhos, nunca vi Sam comer tanto, depois
toda a nossa classe foi jogar no salão
de jogos, brincamos de mímica foi muito engraçado.
Só então percebi, trocar de escola só me fez bem.Me afastou
de tudo ruim que eu tinha vivido, todas as pessoas ruins e mesquinhas, estava
muito mais feliz agora.
-Não acredito que não tem nenhum filme em cartaz – disse
Jake, enquanto nós sentávamos na calçada do cinema que estava fechado.
-Não tem problema, acho que podemos ficar aqui na calçada.
Pode ser divertido – brinquei.
-Espera um segundo – ele se levantou e entrou na lojinha do
lado – fiquei curiosa pois era uma lojinha de brinquedos e fantasias, o que ele
tinha para fazer lá – Pronto – disse ele carregando algo nas mãos.
-O que é? – perguntei.
-Já que não vamos fazer nada, porque não jogamos uno – ele
pegou a caixinha do jogo e despejou as cartas.
Admito que a idéia parece idiota mas foi bem legal,eu ganhei
duas vezes e ele uma.Pela primeira vez tinha achado alguém pior no uno do que
eu.
-Não acredito que ganhou de novo – disse ele, guardando o jogo de novo na caixa.
-Poxa, eu queria jogar mais – brinquei.
-Ganhar mais você quis dizer.
-Talvez – ele riu, e se levantou novamente.
Jake estendeu a mão e me ajudou a levantar, fomos até a loja,
a mesma que ele havia comprado o jogo, havia muitas e muitas fantasias. Então
ele pegou uma e entrou no provador, uns minutos depois ele saiu vestindo roupas
de marinheiro. O que me fez rir muito, também peguei uma fantasia, entramos em
provadores um do lado do outro. E começamos a nos divertir.
A minha primeira fantasia foi de palhaça, a seguir por uma de
pirata, pintinho aparelhinho, princesa e terminei com uma roupa de coelho.
Caímos na gargalhada ao vermos que ridículos estávamos ao experimentar todas
aquelas roupas.
Deixamos a loja antes que fossemos expulsos, mas foi muito
divertido.
-Acho que valeu mesmo o cinema estando fechado.
-Claro que valeu – disse ele – Ver você vestida de pintinho
amarelinho vale bem mais que qualquer filme.
-A cala a boca, marinheiro – brinquei.
Voltamos para o hotel, Sam me esperava, então mal pude me
despedir.
-O que foi – perguntei para Sam que parecia agoniada.
-Seus pais ligaram, queriam falar com você urgente. Parecei
ser sério, tentei te avisar, mas não te achei em lugar algum.
Corri e peguei meu celular, disquei o numero tão rápido que
quase o errei por completo. O Telefone chamou,mas ninguém atendeu.Eu fiquei
muito nervosa e preocupada.
-É melhor eu ir embora – disse para Sam – tem u ponto de
ônibus por aqui?
-Val, é melhor você ficar. Não é seguro pegar um ônibus a
noite e...
-Sam, minha família é mais importante – falei aborrecida.
-Ok – ela olhou um livro de informações que o hotel tinha
dado –Não tem ônibus, só em quatro quilômetros.
-Não pode ser.
-Não conhece ninguém que tenha carro? – ela perguntou.
continua....
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